domingo, 22 de junho de 2008

Capítulo III - Da Solidão que nos é intrínseca

Por que estar sozinho? A busca amorosa parece ser uma constante humana. Desde tempos remotos, seres de todas as espécies, de joaninhas a humanos se juntam, seja para procriação, seja para não se sentirem sós. Na equação humana é adicionada razão – um mal?-, motivo pelo qual tudo pode ficar um pouco mais complicado.
Com o marketing bombando nas telas de tevê, telas de cinema, rádios, revistas, jornais, blogs, sites etc, ideais são propagados e internalizados por (quase) todos. Ou até mesmo todos. Mesmo quem procura não seguir o padrão, acaba por seguir o padrão de quem não quer seguir o padrão. O ajuntamento parece ser fundamental. Seja com camisas listradas na Pista 3 ou com regatas e músculos na The Week.
Entretanto, o amor verdadeiro estaria isento de ideais? A partir do momento que você se apaixona padrões são quebrados? Eu já me apaixonei por dois homens (ao mesmo tempo) que não são exatamente meu padrão por serem um pouco mais afeminados, mas eu gostava deles. Doutora diz que são uma representação dos pais e por isso os padrões não valiam tanto. É, could be.
Nossos progenitores são o primeiro contato com a civilização – e aí entram as instituições que irão nos moldar e nos fazer identificarmos minimamente uns com os outros-, derivando daí o fato de muito de nossas vidas e gostos serem determinados pela relação que construímos com nossos pais. Uma variante que é desenvolvida para alguns que tiveram pais ausentes é o gosto por homens mais velhos. Tanto eu quanto Érika e Clara, ambas com 20 anos, gostamos de homens mais maduros e o ponto comum entre nós parece ser a ausência paterna. Obviamente, o ser humano não funciona de uma única maneira. Assim, depende da maneira como a pessoa processa as informações para resultar em determinados gostos. Logo, a ausência do pai não significa necessariamente uma atração por homens mais maduros. A única constância humana talvez seja a inconstância.
Na outra ponta, encontram-se os jovens com menos experiência, mas atraentes da mesma forma, em outros pontos. A falta de experiência e a sede por crescer parecem atrair. Mas, da mesma forma, eu me sinto atraído por jovens mais maduros que a maioria. Jovens com sede de conhecimento, com pontos de vista distintos sobre a vida, interessados. Então, mesmo entre os jovens eu gosto de velhos? É uma possibilidade. O problema quanto a homens bem mais velhos é imaginar um futuro juntos com os dois vivendo fases completamente distintas. Eu sinto que não conseguiria.
Rainer Maria Rilke é um famoso poeta alemão. O que mais me marcou dele foi ele falar que no final estamos sempre sozinhos e que não é possível ajudar ao outro, porque só ajudamos a nós mesmos. Conversando com Érika, que está lendo Quando Nietzsche chorou, vimos novamente esse pensamento de Rilke. Ajudar o outro, provoca uma sensação de superioridade justamente por ser capaz de ajudar, o que, em última análise, significa ser superior ao outro em alguma instância, o que nos faz sentir poderosos. Assim, você não ama o outro, você ama a sensação que o outro te proporciona.
Todo ser - humano é condenado à solidão que lhe é intrínseca.
Então vem o amor como única esperança dos mortais! Aí não há ricos e pobres, pois amor não se compra. E olhando para todos os lados na balada você busca aflitivamente pelo fim dessa solidão, mesmo que por segundos. E você namora em um mês e termina no outro, emendando já num outro namoro. E você lê livros, escuta músicas, você escreve, você dança, você tudo, na esperança do amor. Pobres apaixonados. Alguém aí pode pensar que não se faz tudo pelo amor. Ok. Não pelo amor ao outro, mas por você. Você escuta músicas e estuda como uma forma de auto-satisfação. Logo, amor-próprio. Não há como fugir dele. Aliás, quantas músicas abordam o amor? Então.
Talvez isso tudo seja uma puta bobagem, quem sabe? Só vivendo para descobrir – ou morrendo.


Até a próxima.

3 comentários:

Unknown disse...

será que realmente amamos a outra pessoa ou amamos o verbo amar?

me lembrei daquele trecho que rosane falou "que seja interno enquanto dure e blá blá", que na verdade ele diz respeito ao amor dele.

beijo joão!

Queer and the City disse...

Exatamente. Você não ama o outro, você ama a sensação que o outro provoca em você!

Anônimo disse...

João! Não sei se vc vai ler meu coment, mas se ler, ficarei feliz!
Li esse texto com uma sede grande de aprendizado e confesso que a mesma foi saciada! Vc tem um tom muito, mas muito reflexivo, introspectivo na escrita!
Só um comentário que pode ser bobo, mas será feito com sinceridade e carinho: tente finalizar com mais carga reflexiva, evite palavras com carga um pouco mais pesada. As vezes palavras soltas no fim do texto nos fazem chocar mais...
Gostei muito do texto! A sua escrita é importantíssima, tem um Q de Necessidade!
Beijos, com muito carinho,
Natália Bragança.